quinta-feira, 30 de novembro de 2017

MICHELLE TRAVESTI

Conto de Lucia Millet


A travesti/trans americana Chanel Santini em foto antiga, antes das próteses de silicone. Eu preferiria que ela continuasse assim.

Dedico essa narrativa a uma travesti bonitinha
que morava num cortiço perto de casa
e que eu via passar da janela do meu apartamento.

Lucia Millet

Talvez eu seja feio ou desinteressante ou quem sabe as duas coisas, não sei. As mulheres nunca se interessaram muito por mim. Quer dizer, algumas até se interessaram, mas Deus me livre! Vivo sozinho, vou ser sempre sozinho, vou morrer sozinho. No final das contas não é tão ruim assim, pelo menos eu me dou bem comigo mesmo. Não tenho amigos, apenas conhecidos e colegas de trabalho. Meu salário me permite pagar o aluguel e o condomínio de uma minúscula quitinete nesse edifício decadente onde vivo cercado de garotas de programa, traficantes, viados e travestis. Pelo menos aqui tenho meu cantinho onde posso ficar sozinho, assistir televisão, guardar minhas coisas. Não me meto na vida de ninguém, ninguém se mete na minha. Vivo bem aqui.
Um dia estava chegando no em casa com as sacolas do supermercado na mão, parado diante da porta do apartamento tentando pegar as chaves do fundo do bolso, quando ela apareceu. Veio pela porta de incêndio que liga meu bloco ao outro bloco, onde há outras oito quitinetes.
– Por favor, me ajude, querem me matar! Estão vindo atrás de mim!
Eu podia ter dito que não, que ela sumisse daqui, que eu não queria me meter em confusão. Não sei por quê, terminei de destrancar a porta e deixei que ela entrasse. Cabe aqui uma explicação: ela não era realmente ela, quer dizer, ela era uma das travestis que moravam no mesmo andar, mas no outro bloco. Também não era uma total estranha para mim, já a conhecia de vista, tinha encontrado com ela várias vezes no saguão e no elevador (quando o elevador do nosso bloco estava quebrado, tínhamos que usar o elevador do outro bloco, e vice-versa). Também não posso negar que olhei para ela, e acho que ela percebeu que eu admirava suas formas, porque me deu um sorriso, e depois disso todas as vezes que encontrava comigo me lançava um olhar provocante. Das travestis que moravam no prédio era a única que eu achava bonita. Não era grandalhona como as outras, magra, sem seios, mas com um bumbum empinado, onde devia haver uma boa quantidade de silicone.
– Olha, a culpa não foi minha. Nós brigamos. Elas me atacaram. Eu só me defendi – disse a Michelle já dentro do meu apartamento.
Eu já ouvira as outras travestis a chamarem de Michelle, por isso sabia o nome dela, ou pelo menos o nome que ela usava.
– Senta aí um pouco – disse eu apontando o sofá que também servia de cama para mim – Fique calma.
Michelle se sentou. Assim sem maquiagem ela parecia menos feminina, mas ainda assim continuava bonita. Os volumosos cabelos pretos que iam até as costas (depois descobri serem em parte aplique) cobriram rosto dela quando abaixou a cabeça, e depois quando a ergueu novamente num movimento brusco, jogando os cabelos para trás, percebi que estava chorando.
– Elas morrem de inveja de mim porque eu ganho muito mais do que elas. Para mim não faltam clientes – e completou, depois de uma pausa. – Agora não sei o que vai ser.
Eu podia ter ficado calado, realmente sou de falar pouco, mas senti necessidade de dizer alguma coisa para preencher o silêncio.
– O que aconteceu? – perguntei.
Enquanto Michelle me contava a história eu observava coxas dela dentro do vestido de malha azul-clara, curtíssimo, um vestidinho velho, já meio desbotado, que devia ter conhecido dias melhores e que agora era usado apenas dentro de casa, mas que continuava sexy. Fiquei sabendo que tinha havido uma briga na quitinete que ela dividia com outras duas travestis, por dinheiro, por ponto de prostituição, por inveja, por um monte de coisas, e que Michelle para se defender das outras, que além de serem duas eram bem maiores, deu uma facada em uma das travestis, uma tal Jéssica. Pronto, aí estava eu com uma assassina dentro do meu apartamento. No desespero ela saiu só com a roupa do corpo, pensou em chamar o elevador, mas acabou vindo parar no outro bloco, onde deu comigo.
            – Calma! Vou ver o que aconteceu – disse assim que ela terminou de contar a história.


A bela travesti brasileira Bianca Freire numa foto do começo da carreira. Ela melhorou com o tempo.

Desci à portaria. Lá já se havia juntado uma pequena multidão de curiosos. Uma viatura de polícia chegou com a sirene ligada e parou na entrada, ainda com as luzes da capota piscando. Logo depois a porta do elevador se abriu e saíram duas travestis abraçadas. Uma delas, que devia ser a tal de Jéssica, com a roupa encharcada de sangue na altura do estômago. A outra travesti a amparava.
– Abram caminho, ela precisa de socorro urgente – gritou a travesti que conduzia Jéssica.
As duas passaram. O próprio carro da polícia levou a ferida para o hospital, porque a ambulância ia demorar muito. Pelo menos não foi tão grave, pensei, a outra travesti não morreu. Tive vontade de ficar ali um pouco mais para obter detalhes, mas tive receio medo que minha repentina curiosidade, partindo de alguém tão reservado como eu, despertasse suspeita. Voltei ao apartamento e dei a Michele a notícia de que a Jéssica não tinha morrido (pelo menos ainda não) e que a levaram para o hospital.
– Graças a Deus! – fez Michelle levando as mãos para o alto.
O vestido curtinho levantou-se com o movimento dos braços e pude ver que ela usava uma calcinha fio-dental preta por baixo. Apesar de tensão, não pude deixar de ficar excitado com aquela visão, mesmo que na parte frente o pênis de Michelle fizesse um certo volume.
– A polícia está lá em baixo. Chegaram mais viaturas. É melhor você ficar por aqui enquanto a coisa esfria – sugeri, pensando comigo que agora que ela já estava dentro do meu apartamento o melhor era que tudo se passasse sem despertar suspeitas, afinal eu era uma espécie de cúmplice.
– Obrigada – disse Michelle.
Havia um descompasso entre a imagem feminina de Michelle e sou voz rouca que, mesmo com a entonação efeminada, soava masculina. Toda a vez que ela falava eu me lembrava que ela não era uma mulher e sim um homem vestido de mulher.
– Vou ligar a televisão – disse com a intenção de distraí-la.
Não estava acostumado a receber visitas em casa, ninguém nunca me visitava, procurei ser o gentil possível.  O televisor acabou se mostrando uma excelente ideia, Michelle ficou imóvel diante do aparelho, absorvida pelas imagens que saiam da tela, sentada com as pernas bem juntas e as mãos no colo.
Fui para a cozinha, quer dizer, aquele corredorzinho da quitinete que chamavam de cozinha, onde cabiam apenas a pia e o fogão de duas bocas e alguns armários no alto (a geladeira tinha de ficar na sala). Eu não tinha o hábito de jantar, comia apenas um lanche à noite, mas agora que tinha visita resolvi cozinhar um arroz rápido, abri uma lata de salsichas ao molho. Quando voltei pra a sala com os dois pratos feitos e talheres para mim e para Michelle, o primeiro impulso dela foi recusar:
– Não, não precisa se incomodar – disse.
– Por favor, eu fiz para nós dois – fiz eu.
Não precisei insistir muito, ela pegou o prato e começou a comer, com os olhos pregados no televisor. Naquela hora passava a novela das sete, bem água-com-açucar, o que para mim era indiferente, porque eu odiava todas as novelas, das seis, das sete e das oito. Comemos em silêncio, apenas nos intervalos comerciais trocávamos algumas palavras.
– Não sei como posso agradecer – disse Michelle – Obrigado por me deixar ficar um pouco aqui. Mais tarde eu me mando, prometo. Não quero causar problemas para você.
– É melhor esperar a polícia ir embora – respondi, lembrando-me do meu envolvimento.
A novela terminou e começaram as primeiras imagens do noticiário, Michelle levantou-se e veio atrás de mim na cozinha onde eu pretendia lavar a louça.
– Pode deixar, eu lavo – disse ela aproximando-se de mim.
– Não precisa – respondi.
Mas ela tomou a frente, roçando em mim aquele corpo cheio de curvas e começou a lavar a louça.
– É o mínimo que eu posso fazer. Qual o seu nome? – perguntou.
– Gilberto.
– Sou Michelle.
– Eu sei, ouvi as outras travestis falando seu nome.
– Também me lembro de você. Já nos cruzamos umas vezes no prédio. Não é verdade? – disse ela sorrindo.
– É verdade – respondi embaraçado.
– Senti que você olhava para mim – disse insinuante.
– É, eu achei você bonitinha. Quer dizer, comparada com as outras travestis – respondi.
               – Obrigada pelo "bonitinha"! – disse ela sorrindo. – Vai assistir televisão, eu termino aqui e deixo a cozinha limpinha.


A travesti/trans brasileira, radicada em Londres, Letícia Crawford, em uma foto antiga, antes das próteses de silicone e da operação de mudança de sexo. Outra que melhorou com o tempo.


Voltei para frente do televisor. Realmente eu gostava de assistir aos noticiários, não sei porque tinha curiosidade pelas coisas que aconteciam pelo mundo, mesmo aquelas coisas de política, tudo me interessava. Michelle veio sentar-se ao meu lado assim que terminou de arrumar a cozinha, ainda cheirando detergente limão. Senti-me novamente excitado ao vê-la ao meu lado com aquele vestidinho curto desbotado, exibindo um par maravilhoso de coxas morenas.
– E você quer fazer alguma coisa comigo? – perguntou ao sentir meu olhar nas coxas dela.
– Não. Acho que não – respondi por timidez. Apesar de me sentir atraído por Michelle, sabia que ela era um homem e eu nunca tinha transado com um homem antes, e mesmo com mulheres fazia muito tempo que eu não transava.
– Você disse me acha bonita... bonitinha... – insinuou ela.
– É verdade. Mas eu não estou te ajudando com segundas intenções. Não quero aproveitar da situação para abusar de você – respondi.
Michelle se aproximou de mim e afagou meu braço. Deve ter percebido que meu pau estava duro.
– Eu não vou me importar se você abusar de mim – respondeu ela sensualmente – Eu até estou com vontade de ser abusada, sabe?
Fiquei parado, sem saber o que responder.
– Você quer que eu chupe seu pau? – ela me sugeriu – Eu sou muito boa nisso, sabe?
Fiz com a cabeça que sim. Michelle se debruçou sobre mim, abriu o zíper minha calça e colocou meu pênis em sua boca. Começou apenas acariciando com os lábios e a língua, depois conseguiu introduzi-lo totalmente, até a garganta. Não sei como ela fazia aquilo, sem dúvida era uma profissional. Ela variava as carícias, ora lambia, ora chupava, tirava meu pênis da boca para colocá-lo de novo até o fim, às vezes levantava os olhos para mim sensualmente. Acho que vi estrelas de tanto prazer!  Acabei gozando na boca dela, o que não pareceu incomodá-la nem um pouco.
 Michelle voltou do banheiro e sentou-se novamente ao meu lado. Nessa hora terminava o noticiário e começava a novela das oito.
– Você gostou? – ela me perguntou.
– Gostei – respondi timidamente.
– Se quiser mais é só pedir. Hoje eu sou sua – disse insinuante.
– Obrigado.
– Sabe, por aí eu cobro uma grana para fazer essas coisas. Hoje você pode fazer tudo o que quiser comigo de graça. Aproveita! – disse sorrindo.
Ela agora tinha se sentado bem perto mim, podia sentir o ombro e da coxa dela roçando no meu corpo, e era uma sensação agradável. Michelle parecia mais à vontade depois de termos transando, como se me tivesse recompensado pelo favor que eu lhe prestava.
– Você tem mulher, namorada? – ela me perguntou.
– Não. Vivo sozinho – respondi.
– Ninguém vem te ver?
              – Não.


A bela travesti americana Domino Presley antes das próteses nos seios. Porém desde o começo da carreira ela aparentava ter silicone nas nádegas. 


Uma vinheta anunciou o começo da novela das oito. De repente, foi como se Michelle não estivesse mais ali, a tela da TV a absorveu completamente. Assim calada ela era uma mulher perfeita. Nos intervalos comerciais trocávamos algumas observações sobre a trama da novela, que eu ignorava completamente, e sobre as ações das personagens, que eu não conhecia, mas que facilmente identifiquei, os bonzinhos e os vilões e aquelas personagens secundárias que preenchiam a novela com tramas paralelas.
– Vou dar uma descida para ver como estão as coisas lá embaixo – disse eu num dos intervalos comerciais.
Para não levantar suspeitas, nem parei no saguão, só passei como estivesse de saída, mas prestando atenção em tudo a minha volta. Havia ainda várias pessoas lá, inclusive alguns policiais fardados. Uma viatura estava parada na porta com as luzes pisca-pisca apagadas. Sai do prédio, dei duas voltas pelo quarteirão, para não levantar suspeitas, e voltei. Contei para Michelle que a polícia ainda estava lá embaixo. Ela me ouviu com atenção, havia medo em seus olhos.
– Você tem para onde ir? Se você quiser pode dormir aqui. Amanhã quando estiver mais calmo você vai embora – sugeri.
– Obrigada. Acho que é melhor mesmo! – ela respondeu – Eu durmo até no chão.
– Não precisa. Este sofá aqui abre e fica uma cama de casal – disse eu, apesar de nunca tê-lo aberto, porque a metade era já suficiente para eu dormir.
Depois da novela assistimos a um programa musical, muito chato, mas que Michelle parecia adorar, e que tive de aguentar até o fim, apesar de saber que no outro canal passava um jogo de futebol interessante. Quando terminou o programa, abrimos juntos o sofá (não sem algum esforço) que realmente se transformou em uma cama de casal espaçosa. Tive de improvisar dois lençóis de solteiro para cobrir a cama.
Michele saiu do banheiro depois de escovar os dentes com a escova nova eu tinha lhe dado. Ainda estava com o vestidinho azul e com as sandálias plásticas com que chegou.
– Acho que tenho uma camiseta que você pode usar para dormir – disse eu lembrando-me de uma camiseta regata que havia comprado e nunca tinha usado, porque ficou comprida demais para mim.
– Obrigada. Só estou com a roupa do corpo. E não vou poder voltar lá para pegar minhas coisas – disse Michele.
– Tinha muita coisa? – perguntei.
– Tinha. Roupas, maquiagem, bolsas, sandálias, bijuterias... ficou tudo lá. – disse ela com tristeza.
– É melhor você não voltar mesmo. A Jéssica pode não morrer, mas você está complicada. Foi uma tentativa de homicídio: dá cadeia – aconselhei.
– Eu sei. Não volto lá nem morta! Depois eu compro tudo de novo – completou com desdém.
Ela tirou o vestido pela cabeça ali mesmo diante de mim. Só então percebi que além da calcinha fio-dental preta ela usava um sutiã sem bojo, apenas um triângulo rendado cor-de-rosa cobrindo seus peitos chatos de rapaz. As duas peças de lingerie não faziam um conjunto, pareciam objetos aleatórios colocados sobre o corpo dela, e mesmo assim eram sensuais.
– Desabotoa o sutiã para mim – disse Michelle virando de costas para mim, exibindo um par de nádegas perfeitas.
Eu sabia que ela mesma poderia desabotoar o sutiã abaixando as alças e puxando a parte com o fecho para a para frente, mas resolvi entrar naquilo que me pareceu um jogo de sedução. Delicadamente desabotoei o sutiã dela.
– Obrigada – disse ela.
– Você tem uma bunda linda – falei vencendo a timidez.
– Se você quiser fazer mais alguma coisa comigo, aproveita. Estou à disposição – sugeriu ela.
– Posso mesmo? – perguntei.
– Claro, amor! Hoje você pode fazer o que quiser comigo. Quer dizer, quase tudo... – completou sorrindo.
Lembrei-me que havia guardado numa gaveta um punhado camisinhas que me deram numa campanha contra a AIDS. Podia ser que já estivessem vencidas, mas quem vai pensar nisso nessas horas.
Há muito tempo eu não fazia sexo, quer dizer, quando o desejo me assaltava, costumava satisfazer-me sozinho com a mão. Fiquei excitado com a ideia de transar novamente com uma pessoa real, quente, que se mexia e gemia autonomamente. E ainda havia a novidade ser uma travesti e não com uma mulher. Michelle deitou-se de bruços na cama depois de tirar a calcinha fio-dental. Ela tinha na bunda e nas costas as marquinhas um biquíni fio-dental que devia usar para tomar sol. Assim de costas ela era simplesmente perfeita. Esqueci quase completamente que boa parte daquilo era resultado de injeções de silicone, concentrei-me apenas na aparência.
Penetrei o cu de Michelle facilmente com a camisinha já lubrificada. Na certa o orifício já estava bastante amaciado pela prática. Meu pênis começou a ir e vir por entre aquelas nádegas maravilhosas. Michele se mexia na cama sem parar, gemia baixinho, dizia coisas indecentes:
– “Me fode!”, “Me fode mesmo!”, “Fode a sua putinha!”, “Põe”, “Põe tudo!”.
Tentei prolongar o máximo que pude o vai-e-vem, não queria que aquilo acabasse nunca. Quando gozei acho que foi o gozo mais delicioso de minha vida. Fiquei indo e vindo por mais algum tempo, mesmo depois de gozar, até que não aguentei mais e tirei o pênis de dentro dela.
Michelle saiu do banheiro já vestindo a camiseta que eu tinha lhe dado.
– Olha meu vestidinho novo! – disse ela dando uma voltinha.
– Ficou perfeita em você – exclamei.
Ela veio deitar-se ao meu lado.
– Adorei transar com você, Gilberto – disse aconchegando-se a mim – Mas sabe, também sou ativa. Se você quiser, também posso te comer. Você quer?
– Não, Michelle, não quero – respondi ofendido àquela proposta que me pegou de surpresa – Assim está bom. Também gostei muito de transar com você.
– Você é quem manda, amor – disse sorrindo, depois prosseguiu – Eu prefiro mesmo ser passiva, mas muitos clientes pedem para serem comidos e a gente não pode negar, né? Ossos do ofício!
– Eu não sou assim – respondi curto.
Michelle tirou a calcinha e a colocou numa cadeira ao lado da cama. De relance vi o seu pênis dela, murcho, uma visão nada agradável, mas que eu tinha de aceitar, fazia parte dela. Apaguei as luzes. Michelle se aconchegou ao meu lado, senti seus cabelos, ombro e coxa encostados em mim. A voz rouca de Michelle que sussurrou: “Dorme com os anjos, amor”. E mais nada.
*        *         *
A fantástica transexual alemã Nicole Charming também em foto antiga, antes das próteses de silicone e da operação de mudança de sexo. Nessa imagem ela deve estar com um bom tucking.

Acordei um pouco atrasado para ir ao trabalho. Mesmo assim fiz café e comi com duas fatias de pão de pão integral que eu comprava de preguiça de ir à padaria a duas quadras de casa.
Michele também se levantou e veio falar comigo.
– Você levanta cedo – disse.
– Não, às sete e meia – respondi.
– Pra mim isso é muito cedo. Eu vivo na noite!
– Imagino – e completei – Agora preciso correr, estou atrasado. Volto lá para às seis da tarde. Fique à vontade, Michele. Tem alguma comida na geladeira, à noite eu trago mais. Se você quiser ir embora, pode ir; se quiser ficar, tudo bem.
– Você quer que eu vá ou que eu fique? – perguntou sensualmente, colocando as duas mãos em volta do meu pescoço.
– É mais seguro você ficar aqui por uns dias – respondi intimidado.
– Você quer que eu vá ou que eu fique? – repetiu me encarando.
– Quero que você fique – disse instintivamente.
– Então... – ela me deu um beijinho na boca – eu fico.
Enquanto ia para o trabalho pensava em tudo o que havia acontecido na noite anterior, de como eu me envolvera em um assunto que não era da minha conta e de como Michelle era deliciosa. Inquietou-me um pouco a ideia de que eu tinha deixado uma estranha no meu apartamento, que poderia, sei lá, roubar as minhas coisas. Já tinha ouvido histórias terríveis sobre travestis. Mas eu não possuía muita coisa valor para ser roubado, apenas um televisor de 14 polegadas, um velho aparelho de som e um rádio-relógio. Achei melhor não me preocupar com isso.

A transexual russa Alice TS. Sabe-se muito pouco sobre ela.


Voltei para o apartamento à noite um pouco apreensivo, sem saber o que ia encontrar. Mas Michelle ainda estava lá, com o mesmo vestidinho azul desbotado, assistindo a TV. Sorriu ao me ver entrar, desviando um pouco os olhos do televisor. Não posso negar que fiquei feliz por ela não ter ido embora. De todas as possibilidades que haviam me ocorrido essa era a que mais me agradava.
Olhei em volta. Na minha ausência o apartamento havia sofrido uma pequena transformação. Depois de anos do meu desleixo, agora as coisas estavam limpas e arrumadas, o chão brilhando, o banheiro e a cozinha lavados.
– Você limpou tudo? – fiz a pergunta óbvia.
– Claro. Esse seu apartamento estava bem sujinho, viu! – disse em tom de censura.
Realmente minhas limpezas eram raras, localizadas e superficiais, e ocorriam somente quando o apartamento ficava insuportavelmente sujo, e eu era bem tolerante à sujeira.
– Já estava no dia de eu fazer a limpeza geral. Neste fim de semana... – menti.
– Enquanto eu estiver aqui você não precisa se preocupar com isso. Eu cuido da limpeza. – respondeu sorrindo – Já fiz a janta também. Espero que você goste.
Fiquei sentado no sofá assistindo TV, como um senhor. Michelle trouxe dois pratos, um para mim outro para ela. Ela cozinhava bem, muito melhor que eu, e mesmo com o estoque limitado de coisas que havia na geladeira e nos armários fez um bom jantar. Comemos em silêncio, com os pratos apoiados nos joelhos, enquanto na TV passava a novela das sete.  Só conversávamos durante os intervalos da novela, essa era uma regra tácita entre nós. Michelle aproveitou o horário do noticiário para lavar a louça, depois de recusar minha tímida oferta de ajuda.
– Fique assistindo suas notícias. Da cozinha cuido eu! – disse taxativa.
Antes de dormir fizemos amor novamente, eu a beijei na pela primeira vez, um beijo profundo, nossas línguas se acariciando. Michelle deu mais uma deliciosa chupada no meu pau e depois deixou que eu a penetrasse. Dormimos bem juntinhos, aconchegados. Não me importava de sentir o volume do pênis de Michelle encostando no meu corpo por trás do fino tecido da camiseta. Para mim ela era uma mulher, uma mulher um pouco diferente, mas mulher.

*            *              *
A linda transexual americana Carrie Emberlyn, totalmente natural.

Ao voltar do trabalho no dia seguinte, ao passei diante de uma loja popular que vendia roupas misturadas em grandes bancas, e resolvi entrar e ver se encontrava alguma para Michelle. Revirando a seção feminina achei algumas coisas que podiam servir para Michelle: duas blusinhas de alça, uma saia de malha, um shortinho e um legging preto. Tentei calcular o tamanho dela tomando a mim mesmo como referência, já que tínhamos quase a minha altura, sem me esquecer que o bumbum dela era volumoso. Fiquei um pouco embaraçado ao passar pela moça do caixa aquelas roupas de mulher, porém ela me atendeu com total indiferença.
Michelle parecia uma criança de tão alegre quando viu o que havia na sacola plástica da loja. Ela correu para o banheiro e num instante voltou vestindo uma das blusinhas e a saia.
– Que você acha – disse, dando uma voltinha.
– Ficou bom. Tive medo de não acertar o tamanho.
Depois ela vestiu a outra blusa e o legging e desfilou para mim. Só o shortinho que não entrou nela de jeito nenhum.
– São coisas baratas, só para você usar em casa. Meu dinheiro é curto – expliquei.
– Obrigada! – disse ela me dando um beijinho – Você não precisava fazer isso.
É claro que eu precisava. Só quando se tem a companhia de alguém é que se sente a total dimensão da solidão. Antes de Michelle eu vivia bem sozinho, achava até que era feliz ao meu modo. Agora voltava correndo do trabalho para casa, sem nem mesmo dar as minhas passadas pelo bar para tomar uma pinga com limão e uma cerveja. Sabia que alguém me esperava em casa, com o jantar pronto, o apartamento brilhando de limpo, minhas roupas lavadas e passadas como nunca tinham sido antes. E ainda havia a expectativa de fazer sexo com ela...
Michelle fez uma lista de coisas para eu trazer do supermercado. Fez também uma listinha de outras coisas que precisava: batom, pó compacto, lápis para os olhos, rimel, pinça para tirar sobrancelhas, esmalte e acetona para as unhas, e um aparelho para ela se barbear. Quando chegava em casa à noite ela estava vestida, maquiada, com as unha pintadas. Comprei mais algumas roupas para Michelle, blusinhas, vestidos, leggings. Um dia tomei coragem e entrei numa daquelas lojas de lingerie, e mesmo sentindo que as vendedoras e freguesas reparavam em mim, comprei algumas calcinhas biquínis e fios-dentais e também três sutiãs com e sem bojo. Em outra loja, aproveitando uma liquidação, comprei para Michelle duas sandálias, uma com salto e outra rasteira, ambas número 41, que era o tamanho que ela calçava.
Fazíamos sexo quase todas as noites. Nós nos beijávamos antes de transar, e mesmo que nessas ocasiões o pênis de Michelle ficasse duro, eu não me importava, ao contrário, considerava as ereções dela como uma prova de amor, ou pelo menos como prova de que ela sentia algum prazer comigo.  Em pouco tempo esgotei meu estoque de camisinhas da campanha contra a AIDS e tive de ir à farmácia comprar mais.
Nunca brigamos, nunca trocamos uma palavra mais rude, nossa vida parecia uma de lua-de-mel.  Eu já estava perfeitamente habituado com a companhia dela. Um dia, porém, ao voltar para casa com um pacote de macarrão, molho de tomate e queijo ralado, porque Michelle queria fazer uma macarronada no dia seguinte, quando abri a porta não a encontrei. O televisor desligado no horário da novela das sete indicava que havia algo errado. Fui até o banheiro e a cozinha procurá-la, como se fosse preciso procurar alguém naquela quitinete minúscula.  Em cima do fogão encontrei uma folha de papel onde ela havia escrito um bilhete:
“Gilberto,

Me desculpe por ir embora sem me despedir, mas acho melhor assim, não gosto de despedidas.

Amei ficar com você esse tempo. Você foi o melhor homem que eu tive. Mas eu tenho que seguir a minha vida, não posso ficar trancada aqui para sempre.

Um dia eu volto para a gente se ver e se amar de novo.

Obrigada por tudo.

Beijos

Michelle”

Abri guarda-roupas, todas as coisas de Michelle haviam sumido. Sentei-me no sofá para me recuperar do choque. Foram apenas duas semanas juntos, mas para mim aquilo parecia uma vida inteira. O caso da facada na tal de Jéssica havia começado a cair no esquecimento, e fiquei sabendo que as outras duas travestis tinham se mudado do prédio. Sem dúvida o clima se acalmara o suficiente para Michelle partisse em segurança. Eu estava tão feliz com a presença Michelle ali comigo que achava que ela também era feliz, sem considerar que ela estava há duas semanas presa em uma quitinete de 35 metros quadrados.
Por algum tempo procurei por Michelle nos lugares frequentados pelas travestis, aqueles pontos conhecidos onde elas se prostituíam. Vi corpos desnudos, ouvi propostas e indecências, mas nem sinal de Michelle. Talvez ela tenha se mudado para outra cidade, quem sabe para outro Estado, bem longe dos olhos da polícia. Pode ser até que esteja usando outro um nome. Gozado, nunca perguntei qual era o nome verdadeiro dela, quero dizer, o nome de homem. Só por curiosidade, não que isso tivesse alguma importância, para mim ela foi e será sempre Michelle.
A imagem dela ficou como que gravada no espaço exíguo da quitinete, sempre ali sentada no sofá assistindo a TV. Às vezes parece que ouço voz dela, aquela voz rouca de travesti, falando comigo nos intervalos da novela. As únicas coisas físicas que ficaram de Michelle foi o bilhete de despedida e uma calcinha meio suja ela esqueceu num canto do armário. Guardei a calcinha como lembrança, assim mesmo como estava.
Sem Michelle, o apartamento voltou ao seu estado habitual de sujeira, minhas roupas mal lavadas e mal passadas, a comida uma gororoba qualquer que eu fazia à noite. Por culpa dela passei a assistir a novela das oito, a que ela mais gostava. Michelle certamente deve estar assistindo a mesma novela em algum outro lugar, e assim parece que fico mais próximo dela. Nunca pensei que ia sentir falta de alguém como sinto de Michelle. E ela, será que também sente falta de mim? Quando nos transávamos ela dizia que me amava, que eu era o melhor homem que ele tinha tido. Mas Michelle era uma profissional do sexo, poderia facilmente fingir que gostava de mim, fingir que sentia prazer quando transávamos. Pessoas como eu são tão fáceis de enganar! Mas não sei, acho que de no fundo ela sentia alguma coisa por mim, sei lá, carinho, gratidão, um amor incondicional, que não pedia nada em troca, que me aceitava do jeito que eu era. Quem sabe um dia ela volte mesmo como prometeu, ou me escreva para nos encontrarmos em algum lugar. Eu iria a qualquer parte do mundo para estar de novo com ela. Michelle, a travesti, foi a única mulher que amei.

FIM


Paraty, 29/11/2017.


A maravilhosa travesti brasileira Letícia Vlasak em foto também antiga, antes das próteses de silicone. Letícia faleceu de câncer em 2011.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Primeiro Namorado


Conto de Lucia Millet

A história é continuação do conto “Meu Primo Gustavo”.

Depois daquela temporada na casa de minha tia Jurema, das transas com o primo Gustavo, o Juarez e o Sergio, voltei para a minha rotina de escola, amigos, família. A maior preocupação que tive em casa foi encontrar um lugar seguro para guardar as roupinhas que tinha trazido: duas calcinhas fio-dental, uma preta e uma rosa, um sutiã preto, uma cinta-liga, dois pares de meias 7/8 e um biquíni amarelo. Era a primeira vez que tinha roupas de mulher só para mim. Apertei tudo em um pacote pequeno e escondi dentro do forro de um velho sofá, um lugar relativamente seguro, o inconveniente é que era trabalhoso tirar as coisas de lá quando me dava vontade de vestir alguma coisa.
Nossa família vivia numa uma casa pequena. Eu dividia o quarto com dois irmãos menores, não tinha nenhuma privacidade. Somente quando me trancava no banheiro podia vestir uma das calcinhas fio-dental e me olhar de costas no espelho para ficar excitado e finalmente me masturbar com o dedo ou algum objeto cilíndrico enfiado no cu, imaginando-me uma mulher sendo penetrada. Algumas vezes tinha de interromper meu gozo porque alguém batia na porta para usar o banheiro. Um horror!



Ouvira falar que os exercícios de agachamentos eram ótimos para aumentar e endurecer o bumbum, por isso comecei me exercitar, duas séries diárias, juntamente com os abdominais para manter a cintura fina. Raspava os poucos pêlos que nasciam nas minhas pernas e peito, e deixava os cabelos o mais cumpridos possível. Eram pequenas coisas que me faziam sentir mais feminina.
Muitas vezes saía à rua usando calcinha ou até mesmo calcinha e sutiã debaixo das roupas de homem.  Sentia-me bem vestindo lingerie no lugar das cuecas sem graça, e até o desconforto do fio-dental dentro do meu rego ou o aperto das alças do sutiã nas minhas costas era agradável. Mas morria de medo que acontecesse alguma coisa, que eu passasse mal ou fosse atropelado e então me levassem para o hospital e descobrissem que estava de calcinha e sutiã e todos em casa e na escola ficassem sabendo... Sentia um verdadeiro pavor de ser descoberto!
Na escola - eu já estava no segundo colegial – minha maneira de ver as coisas mudou um bastante. O passei a olhar as meninas de outro jeito, quer dizer, eu ainda olhava para elas, mas era mais com inveja do que com desejo. Gostava observar as roupas, os sapatos, os braceletes, os brincos, e ainda mais, os corpos, os gestos, a voz, os cabelos, o jeito de andar. Imaginava-me vestindo as mesmas roupas que elas usavam: minissaias, leggings, shortinhos, blusinhas de alça, tudo bem colado e sensual.
Naquela época, no entanto, não sentia desejo por nenhum dos meninos da escola, todos uns idiotas, grossos, que faziam brincadeiras sem graça. Foi então que ele apareceu... O Sidney chegou na metade do ano, transferido de outra escola, e veio sentar-se numa carteira bem ao lado da minha. Logo o achei interessante, meio lourinho, olhos azuis, bonitinho, apesar dos óculos grossos que usava. Tinha a mesma idade que eu, 16 anos. Como ele era muito tímido, meio “nerd”, as meninas não deram muita bola para ele. Logo pude, puxei conversa com Sidney. Ele me contou que ótimo em Matemática, Física e Química, matérias que eu odiava, em compensação era fraco em Português, História e Geografia, matérias que eu amava. Vimos aí uma possibilidade de ajuda mútua, podíamos estudar juntos. E assim fomos ficando amigos.
Como minha casa era pequena, a ainda havia os dois irmãos e a mãe, resolvemos estudar na casa do Sidney, que era filho único. Quando cheguei lá não acreditei: ele morava numa casa enorme, linda, com piscina. Sidney tinha um quarto só para ele, tipo suíte, com banheiro próprio. Ele também possuía um computador no quarto, meu sonho de consumo, porque em casa eu dividia o computador com meus dois irmãos, minha mãe e meu pai, não tinha privacidade para ver sites mais quentes. No caso do Sidney, além de ele ser filho único, o pai e a mãe que trabalhavam e ficavam fora o dia todo. Além de nós, única pessoa na casa era uma empregada, muito calada, que permanecia no andar de baixo, na cozinha ou na copa, e ia embora pontualmente às 4 da tarde.
No primeiro dia só estudamos e conversamos. Sidney, ao contrário do que eu imaginava, também gostava de uma sacanagem. Falamos das meninas gostosas que havia na escola. Depois ele ligou o computador e me mostrou uns sites pornôs, com vídeos de sexo, inclusive anal, com homens, mulheres e travestis. A coisa começava a ficar interessante!  Nós dois ficamos de pau duro, mas paramos por aí.
Na próxima vez em que fui estudar na casa do Sidney, coincidiu de eu ter ido à escola de calcinha e sutiã por baixo da roupa. Eu poderia ir ao banheiro e tirar antes de ir para a casa dele, mas resolvi ficar daquele jeito mesmo. No quarto do Sidney, que era onde estudávamos, assim que tive chance entrei no assunto da sacanagem. Falei do boato que havia na escola de que algumas meninas davam a bunda para os namorados para poderem transar e continuarem virgem. O assunto como sempre interessou Sidney. Ele ligou o computador para me mostrar mais uns sites legais de sexo. Abandonamos o estudo e nos concentramos na sacanagem. Ficamos os dois muito excitados, mas de maneira diferente, ele com vontade de comer, eu com vontade de dar. Resolvi tentar a sorte.



- Olha, Sidney, tem uma coisa que eu queria te mostrar. Mas você tem de me prometer que não vai contar para ninguém, principalmente na escola.
- O que é, Marcelo? – ele me perguntou interessado.
- Então feche os olhos um pouco – disse eu.
Ele atendeu o meu pedido. Rapidamente tirei minha roupa e fiquei apenas com o conjunto de calcinha e sutiã pretos. Virei de costas e arrebitei bem a bunda.
- Ponto, pode olhar – disse eu.
- Marcelo, o que é isso? – exclamou Sidney surpreso.
- Eu gosto de me vestir de mulher para ficar com mais tesão – expliquei.
- Mas você é viado?
- Não! Acho que não – respondi.
- Que bunda você tem! – exclamou Sidney me observando.
Realmente, com os exercícios constantes, minha bunda, que já era boa, ficou maravilhosa.
- Eu me visto assim depois me olho no espelho. Aí fico louco de tesão e bato uma – disse eu.
- E você não quer dar a bunda pra mim? – perguntou Sidney.
- Ah, não! Eu não faço essas coisas – respondi inocente.
Na verdade eu estava morrendo de vontade de dar para o Sidney, mas resolvi fazer o papel de virgem, não queria que ele pensasse que eu era uma vagabunda, que dava para qualquer um.
- A gente podia experimentar. Eu nunca comi uma bunda, sabe? – disse Sidney excitado.
- Eu também não – respondi.
- Dá sua bunda para mim então, Marcelo?
- E por que você não dá a sua para mim, Sidney?
- Bom, quem está de calcinha e sutiã é você – concluiu Sidney.
Realmente o argumento dele era bastante forte, mas continuei no meu o papel de virgem.
- Não sei. Ouvi dizer que dói...
- Vamos fazer assim, eu coloco só a pontinha, se doer muito, eu tiro.
- Bom, se você promete, a gente pode tentar...
- Vai lá para a cama – disse ele.
- Olha, Sidney, ouvi dizer que precisa passar alguma coisa para lubrificar.
- É verdade. Vi num filme que manteiga é bom. Espere aqui que eu vou buscar na cozinha.
Sidney saiu apressado. Sozinho no quarto, olhei-me no grande espelho do guarda-roupa para me ver de corpo inteiro. De costas minha bunda no fio-dental ficava divina!  Deitei-me na cama de bruços e esperei que ele voltasse. Não demorou muito e Sidney entrou apressado no quarto.
- Pronto, consegui, Marcelo.
 Sidney rapidamente tirou a roupa e começou a passar a manteiga no pau.
- Você não vai tirar a roupa? – perguntou-me.
- Só a calcinha – respondi.
- Então tira – ele pediu.
- Tira você pra mim. Já estou deitada... – sem querer usei o feminino.
Sidney delicadamente foi baixando minha calcinha até ela sair totalmente pelos meus pés.
- Assim de costas você parece uma mulher de verdade! – disse Sidney. – Quer que eu tire o sutiã também?
- Ah, não! O sutiã pode deixar – respondi. Eu gostava de ficar com alguma peça no corpo enquanto transava para me sentir mais feminina.
Sidney se deitou sobre mim. Senti um arrepio quando o pau dele, quente e duro, roçou nas minhas nádegas. Arrebitei o bumbum o máximo que podia para facilitar a penetração. Ele teve uma certa dificuldade para achar o buraco do meu cu, realmente não tinha experiência nenhuma.
- Um pouco mais para baixo, Sidney – disse para ajudá-lo – É bem aí.
Finalmente ele começou a me penetrar.
- Ai, Sidney, vai devagar! – exclamei exagerando.
- Está doendo? Quer que eu tire? – perguntou.
“Ai, que docinho ele é”, pensei.
- Não! Não tira não! Pode deixar. Mas enfia devagar.
Não conversamos mais, foi só meter e meter. Não sei se era porque eu estava há muito tempo sem dar a bunda, ou porque estava muito excitada, ou porque gostava do Sidney, não sei: o que posso dizer é que nunca na vida tinha levado uma pica tão gostosa. Cheia de tesão por me sentir de novo sendo penetrada, esqueci um pouco o meu papel de virgem e disse:
- Mete! Mete! Me come!
- Que bunda gostosa! – disse ele.
Eu me mexia, rebolava e gemia enquanto Sidney me bombava, cada vez mais rápido. Quando gozei foi um gozo delicioso. Meu esperma jorrou encharcando o lençol embaixo de mim e foi  até o meu umbigo.
Sidney também gozou, depois tirou o pau da minha bunda. Ele foi para o banheiro se lavar. Fiquei de bruços na cama, sem coragem de me levantar, com a bunda para cima, apenas com sutiã preto.  Ele saiu do banheiro e sorriu para mim.
- Eu adorei comer a sua bunda. Você gostou? – ele me perguntou.
- É, gostei! – respondi eu timidamente enquanto ele se vestia. – Doeu um pouco no começo, mas depois... ficou bom...
- Eu percebi que você estava gostando – disse ele sorrindo.



Realmente era difícil para mim esconder que sentia prazer em dar a bunda.
- Não sei o que aconteceu comigo! Nunca tinha feito isso antes! – disse para parecer inocente – Agora preciso ir embora.
Vesti rapidamente a roupa, joguei a calcinha e o sutiã dentro da mochila e saí apressado. Meu rabo ainda estava sujo de manteiga, na pressa nem me ocorreu de ir ao banheiro me lavar. Sentia vontade de ficar um pouco sozinho. O que tinha se passado entre o Sidney e mim não tinha sido apenas uma transa como as que eu tivera antes, foi algo muito especial.  E eu que já gostava do Sidney, depois de ser comida tão deliciosamente, fiquei totalmente apaixonada.
E agora, como ia ser? Não sabia como Sidney ia reagir ao se encontrar comigo no dia seguinte. Será que ia achar que eu era um viadinho, uma bicha, como havia alguns na escola, daqueles andavam desmunhecando e eram vitimas de gozação de todos. Meu maior terror era que Sidney me desprezasse ou saísse contando na escola que eu gostava de me vestir de mulher e de dar a bunda. Pensei mil coisas, as piores possíveis. Mas quando nos encontramos não houve nada de especial, ele me tratou como nos outros dias, acho que foi até mais carinhoso. Em um momento passou a mão por meu braço, olhei para ele e ele sorriu. Saímos juntos da escola. Ele segurou minha mão para atravessarmos a rua. Não falamos sobre que havia acontecido em momento algum, mas aquilo estava sempre no ar entre nós. Ao nos despedirmos ele fez um gesto tímido, quase como se quisesse me beijar. Fiquei ao no auge da felicidade, era tudo o que eu podia querer: estava apaixonada e meu amor era correspondido. Não havia dúvida, havia conseguido meu primeiro namorado.
Nosso namoro era discreto. Éramos daquele tipo de amigos inseparáveis, como havia tantos outros na escola. Nos encontrávamos na entrada, sentávamos em carteiras vizinhas, ficávamos juntos no recreio, íamos embora juntos. No mais fazíamos as coisas que os outros garotos faziam, até jogávamos futebol (muito mal, mas jogávamos). Ninguém poderia desconfiar que por trás daquela amizade havia um namoro.
Eu ia uma ou duas vezes por semana na casa do Sidney com a desculpa de estudar. Nesses dias levava minhas roupinhas de mulher, calcinhas, sutiã, cinta-liga e meias 7/8, até o biquíni amarelo e me montava para o Sidney. Não precisa dizer que eu era invariavelmente comida.
- Marcelo, como sua bunda é gostosa – disse Sidney enquanto me comia.
Era a segunda vez que transávamos. Tomei coragem e disse para ele:
- Sidney, não me chama mais de Marcelo. Quando eu estiver vestida de mulher me chama de Lucia.
- Que gostosinha você é, Lucia! – fez Sidney na hora.
Daí em diante, quanto eu estava vestida de mulher ele me chamava sempre de Lucia, Lucinha, amorzinho, gostozinha, tesãozinho, e coisas assim.

Com o nosso namoro também resolvi o problema de onde guardar minhas roupinhas de mulher, porque eu morria de medo que alguém lá em casa descobrisse meu esconderijo. No quarto do Sidney havia um lugar seguro, duas gavetas das quais só ele tinha as chaves. Combinamos de deixar as coisas da Lucia guardadas ali. Fiquei só com a calcinha cor de rosa para vestir em casa quando sentisse vontade, o que facilitava muito a minha vida, pois uma calcinha era bem mais fácil de esconder.
*     *    *
No meu caminho de casa para a escola passava todo dia diante de uma loja de lingerie. Ao me aproximar da loja diminuía o passo para dar uma olhada disfarçada na vitrine, não tinha coragem de parar para admirar. Havia um conjuntinho de calcinha e sutiã que eu simplesmente amava, cor laranja, de Lycra, com partes em renda, a calcinha fio-dental e o sutiã meia-taça com aro. Morria de vontade de ter um conjuntinho daqueles! Mas imagina se eu teria coragem de entrar na loja para comprar. Nunca! Só podia olhar e me imaginar vestindo aquilo.



Um dia passando diante da loja junto com Sidney não resisti e disse para ele:
- Olha aquele conjuntinho laranja. Não é lindo?
- É, muito legal – respondeu.
- Como eu gostaria de ter um daqueles – falei.
- Por que não compra? – perguntou Sidney, sem se dar conta do problema.
- Ah, não tenho coragem! – respondi.
- Vamos lá agora mesmo! – disse Sidney pegando-me pelo braço.
- Não, Sidney! – fiz eu resistindo.
Mas não houve jeito, ele praticamente me arrastou para dentro da loja de lingerie. De repente me vi no paraíso. Todas aquelas coisas lindas: calcinhas, sutiãs, meias, espartilhos, bodies, cintas-ligas, camisolas transparentes, tudo ali a minha volta, ao alcance da mão.
- Nós queríamos ver aquele conjunto laranja que está na vitrine – disse Sidney para a vendedora. – É um presente.
- Pois não – respondeu a vendedora indiferente.
Eu estava com tanto medo que minhas pernas tremiam.
- É um artigo de primeira qualidade. E está em promoção – disse a vendedora estendendo o conjuntinho sobre o balcão. – Podem examinar.
O Sidney pegou a calcinha, examinou, depois passou para mim.
- Você acha que ela vai gostar? – perguntou-me Sidney segurando o sutiã.
- Ééé... – respondi embaraçado com a calcinha nas mãos. – Acho que sim...
- Vamos levar? – ele me perguntou.
- É, vamos... – respondi.
- Qual o tamanho: P, M ou G? – interrogou a vendedora.
- O que você acha, Marcelo? Qual o tamanho da Lucia? – perguntou-me Sidney.
- Acho que M vai ficar bom... – respondi embaraçado.
- Vamos levar o M. Embrulhe para presente, por favor. – disse Sidney para a vendedora.
Nem acreditei quando saímos da loja, eu com a alça do pacotinho dourado na mão. Respirei aliviado como se tivesse escapado de um grande perigo. Parecia um sonho o que tinha acontecido.
- Vamos para minha casa? – sugeriu Sidney – Quero ver como fica em você?
Não era dia de estudarmos nem nada, mas fomos direto para a casa do Sidney. Subimos e nos trancamos no quarto, como fazíamos de costume, para que ninguém atrapalhasse nossos estudos.
- Espera aí que eu vou vestir – disse para o Sidney e corri para o banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Quando me vi no espelho do banheiro não acreditei. O conjuntinho ficou lindo em mim, do tamanho certo e bem justinho, o que é melhor. Passei na boca um batom que por coincidência tinha deixado na mochila e fui ao encontro do Sidney. Ele já estava na cama, só de cueca, com o pau duro. Abriu um sorriso ao me sair do banheiro.
- Que linda você ficou, Lucia! – exclamou.
- Obrigada! Adorei o presente – respondi. E comecei a desfilar, indo e vindo até o espelho do guarda-roupa, rebolando, dando voltinhas com um sorriso insinuante. De repente Sidney fez um gesto para mim.
- Agora vem cá, Lucia. – disse levantando-se da cama.
Nós nos aproximamos. Então ele me abraçou com força e me beijou na boca. Era a primeira vez que ele me beijava. Nossas línguas se tocaram, a dele dentro da minha boca.
- Vamos para a cama – pediu Sidney.
- Já? Como você é apressado! – fiz eu charmosa, mas cedi. – Está bem...  
Eu fui para cama e me deitei de bruços, arrebitando o bumbum. Sidney lubrificou o pau e logo estava sobre mim. O safadinho nem tirou minha tanguinha, só a colocou de lado. Seu pênis quente logo avançou pelas minhas nádegas a caminho do meu cu e pouco depois já estava me penetrando.
- Põe, amor! Põe mesmo – exclamei.
- Hoje eu vou te enrabar, safadinha – ele disse.
- Ai, me enraba! Me enraba mesmo!
Ficamos muito tempo metendo, ambos cheios de tesão com o conjuntinho novo. Foi uma das transas mais gostosas que tivemos.
Depois dessa vez, visitamos outras lojas de lingerie, sempre para comprar presentes para nossa amiga Lucia. Compramos também muitas coisas pela Internet. Agora as duas gavetas do trancadas à chave do quarto do Sidney estavam repletas de coisas lindas: vários conjuntos de calcinha e sutiã, dezenas de calcinhas avulsas, bodies, espartilhos, meias, cintas-ligas, camisolas transparentes. Os espartilhos viraram a minha paixão, e do Sidney também. Eu tinha três: um branco, um vermelho e um preto, com meias 7/8 e tanga fio-dental. Eu preferia usar os espartilhos com tangas de lacinhos nos lados, para poder tirá-las sem precisar desprender as ligas, ficando somente com as meias e o espartilho e deixando a bunda livre para ser penetrada.



Nossas transas foram ficando cada vez mais elaboradas. Nós nos beijávamos muito antes de irmos para a cama. Eu, é claro, sempre vestida de mulher. Às vezes, colocávamos uma música romântica e dançávamos abraçados, bem lentamente. Adorava nesses momentos sentir as mãos do Sidney passeando por meu corpo todo, principalmente quando chegavam na minha bunda. Às vezes eu me punha de joelhos e chupava o pau do Sidney, e chupava tão bem ele acabava gozando na minha boca, sem ter tempo de me levar para a cama. Transávamos sempre na mesma posição, eu deitada de bruços e ele por cima de mim. Até tentamos outras posições, aquela em que eu ficava de quatro ou aquela chamada “frango assado”, mas todas elas eram desconfortáveis, e acabamos voltando para a tradicional o menino com menino. Adorava os braços do Sidney me apertando, os lábios e a respiração dele na minha nunca enquanto me penetrava. Eu realmente me sentia uma mulher sendo possuída...


Nosso namoro incluía também saídas. Sidney e eu íamos a lanchonetes, ao Shopping Center, ao cinema. Ele pagava tudo para mim, o que era ótimo porque a minha mesada era uma merreca. Também nada mais natural, afinal ele era rico e eu pobre, depois ele era o garoto e eu a garota. No escuro do cinema, trocávamos carícias discretas. Eu alisava o pau dele por cima da calça, enquanto ele enfiava a mão por trás da minha calça, alcançando minha tanguinha, e acariciava minha bunda. Sempre que saíamos juntos eu usava lingerie por baixo das roupas para me sentir mais feminina.
Mas o melhor estava por vir. A empregada da casa do Sidney começou um tratamento médico – nada muito sério, mas ela tinha de sair mais cedo duas vezes por semana. Naqueles dias Sidney e eu ficávamos com a casa toda para a gente. Já tinha dado uns mergulhos na piscina dele, mas usando uma sunga, agora ia finalmente poder vestir meu biquíni amarelo. Como o muro da casa era alto, ninguém poderia nos ver. Nos divertimos à beça na piscina, nadamos, brincamos, depois eu me deitei para me bronzear um pouco, principalmente o bumbum. Sidney prontamente se ofereceu para passar óleo em mim. Senti as mãos dele passeando por meu corpo todo, costas, braços, pernas, coxas, bunda... Ele se deteve quando chegou na minha bunda e depois de massageá-la um pouco começou a tirar minha calcinha.
- Não, Sidney! O que você está fazendo? – disse eu.
- Você está um tesão com esse biquíni. Vamos transar. – ele respondeu.
- Mas eu quero me bronzear - protestei.
- Rapidinho. Depois você toma sol.
Não houve jeito, ele terminou de tirar minha calcinha e pouco depois já estava em cima de mim com o pau duro forçando a entrada no meu cu. Foi tão gostoso transar assim ao ar livre que resolvemos fazer outras vezes. Compramos pela internet mais três biquínis, um mais lindo que o outro, todos fio-dental. Não precisa dizer que fui comida várias vezes com cada um deles. E no final das contas ainda consegui ficar bem bronzeada e com aquelas lindas marquinhas de biquíni no meu corpo.

*      *      *
Nosso namoro continuou firme, eu cada vez mais apaixonada. Comecei a imaginar como seria tão bom se eu tivesse nascido mulher. Iria poder usar roupas femininas o dia todo sem ter de me esconder. Sidney e eu poderíamos namorar de verdade, andaríamos de mãos dadas ou abraçados pela rua, daríamos uns beijos em público. Sidney também teria mais opções: além do meu cu o poderia também comer a minha xoxota. Mas eu infelizmente havia nascido homem, não havia nada a fazer.
Uma vez falei com Sidney sobre do meu desejo de ser mulher. Ele me disse que tinha visto na internet sites sobre transexuais, pessoas que nascem de um sexo e mudam para outro. Pesquisamos no computador, lemos depoimentos, vimos muitas fotos. Nosso interesse se concentrou nos homens e faziam a transição para mulher. Algumas ficavam realmente lindas, mulheres perfeitas. Também encontramos indicações de remédios que as transexuais tomavam para ficarem mais femininas, com fotos mostrando o antes e o depois. Interessei-me pelos remédios. Conseguimos comprar alguns com uma receita falsa e comecei a tomar. No primeiro mês não senti efeito nenhum, depois meu corpo começou a se transformar. Não era nada muito radical, a pele ficou mais macia, as formas mais arredondadas e dois lindos seios começaram a nascer. Tive medo que os seios crescerem muito e eu não pudesse esconder. Mas não, os peitinhos não aumentaram muito mais, ficaram como os de uma menina que acabara de entrar na puberdade e, desde que eu não usasse camisetas muito justas, ninguém conseguiria perceber. Sidney adorava chupar meus peitinhos.



Vimos também os casos das transexuais que fazem operação de mudança de sexo. Sidney me perguntou se eu teria coragem. Hesitei. Apesar do meu pênis atrapalhar a minha feminilidade, não podia negar que era com ele que eu obtinha o meu prazer. Sempre que Sidney comia a minha bunda, eu me masturbava pela frente e gozava deliciosamente. Sem o pênis como ia ser? E era uma operação irreversível. Melhor ficar daquele jeito mesmo, só tomando os remédios para ficam mais feminina. Sidney concordou, disse que gostava de mim do jeito que eu estava. Ele era um docinho, não acham?
*      *      *
Um dia Sidney, meio sem jeito, chegou para mim e disse que tinha conhecido uma garota, que ia namorar ela e que não poderia mais me ver. Assim, de repente! Foi o maior choque da minha vida, pois eu estava totalmente apaixonada por ele.
- Mas como você pode fazer isso depois de tudo que vivemos juntos – disse eu abalada.
- Eu sei, Lucia, você foi muito importante para mim. Nunca vou te esquecer. Mas eu queria namorar uma mulher de verdade. Compreende?
O pior era que eu o compreendia. Realmente mulher é outra coisa, eu mesmo queria ter nascido mulher. Não valia a pena se descabelar, implorar para que ele não me deixasse. Se ele não me queria mais, não havia nada a fazer. Só consegui chorar...
A menina por quem o Sidney tinha me trocado chamava-se Camila e era realmente linda. Não senti ódio, mas inveja quando a vi. Ela tinha quadris, cintura fina, bumbum empinado, coxas, seios, lábios carnudos, longos cabelos sedosos, voz feminina e, mais que tudo, tinha uma xoxota. Por mais que eu me esforçasse, nunca seria como ela, nunca passaria de uma imitação medíocre de mulher. Meu único consolo é que tinha ouvido dizer que alguns homens sentem uma atração irresistível pelas crossdressers e transexuais, uma atração tão forte que nenhuma mulher de verdade consegue satisfazer. Quem sabe o Sidney não fosse um desses? Era esperar para ver.
Nosso rompimento gerou um problema prático: o que fazer com aquelas roupinhas maravilhosas que enchiam duas gavetas no quarto do Sidney? Jogar fora nem pensar, eram coisas preciosas para mim. Apesar dos riscos, resolvi levar tudo para minha casa. Sidney me deu uma mala onde eu apertei o máximo de coisas que podia, e coube quase tudo. Cheguei em casa com a mala e disse para os meus pais que uma amiga tinha viajado e me pedido para guardar aquela mala por um tempo. Disse também que a mala estava trancada e eu não tinha as chaves. Assim a mala foi parar em cima de um guarda-roupa e ninguém mais prestou atenção nela, a não ser eu mesmo que, quando ficava sozinho em casa, a abria e escolhia alguma coisa para vestir. Comprei um pênis de silicone, bem realístico, do tamanho do pau do Sidney, e me satisfazia sozinho quando podia.
No semestre seguinte não vi mais o Sidney. Soube que ele tinha pedido transferência para outra escola, com certeza para não se encontrar mais comigo. Talvez tenha sido melhor assim: cada um para seu lado. Chorei, sofri muito, mas acho que superei. Quer dizer, às vezes ainda sinto uma fisgada quando me lembro do Sidney e das coisas que fizemos juntos. Mas eu tinha que seguir com minha vida, eu era daquele jeito, um homem que gostava de se sentir mulher, que só ficava completo quando me vestia com roupas femininas e era penetrado por outro homem. Dificilmente minha natureza iria mudar daqui para frente. Talvez por isso resolvi continuar tomando aqueles remédios para deixar meu corpo mais feminino e também continuei firme com meus exercícios de bumbum e abdominais. Aquele caminho que eu havia tomado não permitia retorno. Quem sabe o que o futuro traria? Comecei a sonhar com a possibilidade de encontrar novos príncipes encantados como Sidney.


F I M

São Paulo, 30/06/2017
P.S.: não é minha opinião que todas as crossdressers devam evoluir para transexuais, muito pelo contrário, e se isso acontece nesse conto foi com a intenção de tornar a história mais interessante e possibilitar desenvolvimentos futuros.